Como montar um catálogo com pedido pelo WhatsApp
Você vende pelo Instagram e pelo WhatsApp, e funciona. O problema não é a venda, é tudo em volta dela: responder "quanto custa?" quarenta vezes por dia, procurar no meio da conversa o que a pessoa pediu, e descobrir na hora de separar que o item acabou.
Este guia é sobre montar o catálogo que responde essas perguntas sozinho, sem tirar o WhatsApp do caminho.
O que um catálogo com pedido precisa ter
Cinco coisas. A maioria das soluções entrega três.
- Um catálogo que você atualiza sozinho, sem pedir para ninguém e sem refazer imagem;
- Preço e disponibilidade que não mentem. O item que acabou some ou aparece esgotado, e não vira uma conversa constrangedora depois;
- Um carrinho. Parece detalhe e não é: pedido de um item só é conversa, pedido de cinco itens sem carrinho é erro de digitação esperando acontecer;
- O pedido chegando em algum lugar que não seja a conversa. Este é o ponto que decide tudo, e a seção seguinte explica por quê;
- Histórico por cliente, que é o que transforma um comprador em um cliente que volta.
Por que o pedido não pode morar na conversa
Enquanto o pedido existe só como mensagem, ele tem os problemas de uma mensagem: some no meio de outras, não dá para ordenar, não dá para contar quantos entraram hoje, e some de vez quando você troca de celular ou quando outra pessoa passa a atender.
O WhatsApp é excelente como canal de aviso e péssimo como banco de dados. O catálogo que funciona é o que registra o pedido em algum lugar e usa o WhatsApp para avisar, não o contrário.
Os quatro caminhos, e onde cada um quebra
| Caminho | Custa | Quebra quando |
|---|---|---|
| Só Instagram e WhatsApp, na mão | nada | passa de uns poucos pedidos por dia, ou você contrata a segunda pessoa |
| Catálogo do WhatsApp Business | nada | você precisa de carrinho, frete, variação de tamanho ou estoque |
| Loja pronta ou marketplace | mensalidade e comissão | você quer o cliente na sua base, e não na do marketplace |
| App ou site próprio | mensalidade | nunca, e é por isso que é o mais trabalhoso de começar |
Só na mão. É o certo no começo e é honesto dizer isso. O sinal de que passou da hora não é o volume, é você começar a errar: pedido esquecido, preço desatualizado, item vendido duas vezes.
Catálogo do WhatsApp Business. Resolve bem a vitrine e para exatamente onde a venda começa a ficar séria: não tem carrinho, não calcula entrega, não sabe que o item acabou, e não guarda nada sobre quem comprou.
Loja pronta ou marketplace. Chega pronto e cobra por isso de duas formas, a mensalidade e a comissão. A segunda é a que dói: além do percentual, o cliente é da plataforma, e recomeçar em outro lugar significa recomeçar a base.
App ou site próprio. Mais trabalho para começar e o único que não tem um teto embutido. Era caro; é o que mudou nos últimos dois anos.
Como montar o seu
O que segue é o desenho que funciona, independentemente da ferramenta que você use para construir.
Os dados
Três coleções, e não mais que isso na primeira versão:
- Produto: nome, descrição, foto, preço, disponível (sim ou não), categoria. Se você vende com variação, uma lista de opções com preço próprio;
- Pedido: cliente, itens, total, forma de entrega, endereço quando houver, situação (recebido, em preparo, saiu, entregue);
- Cliente: nome, telefone, endereço. Ele nasce do primeiro pedido, ninguém precisa preencher cadastro antes de comprar.
O erro comum aqui é guardar o pedido como um texto só. Se os itens não são uma lista, você nunca vai conseguir responder "qual é o produto que mais sai".
O fluxo
Vitrine, item, carrinho, dados de entrega, confirmação. Cinco telas, e a quarta é onde a maioria das vendas se perde: peça o mínimo. Nome, telefone e endereço quando o pedido é entrega. Cada campo a mais é uma chance de desistir.
Onde o WhatsApp entra, e são dois lugares diferentes
Esta é a distinção que quase todo tutorial confunde.
O link, que não precisa de nada. Ao confirmar, o app abre a conversa com o pedido já escrito. É um link wa.me com a mensagem no endereço, funciona em qualquer celular e não exige cadastro, API nem aprovação. Para a maior parte dos negócios, isto é o suficiente e é o que você deve fazer primeiro.
A API, quando você quer que o sistema fale sozinho. Confirmação automática, aviso de "saiu para entrega", lembrete de agendamento: para isso o app precisa mandar mensagem sem ninguém apertar nada, e aí entra a WhatsApp Cloud API, com a sua própria conta na Meta. Dá mais trabalho para ligar e é o que transforma o atendimento em processo.
Na Fabapp, o segundo caminho é uma integração que você conecta com a sua conta da Meta, e o app passa a mandar confirmação e lembrete sozinho. O primeiro é só um botão, e não precisa de integração nenhuma. As integrações e o resto do que a plataforma faz estão em recursos.
E o pagamento
Receber o pedido e negociar o pagamento por mensagem é meio caminho. Com um meio de pagamento conectado, o cliente paga na confirmação e a conversa começa já resolvida.
É aqui que a escolha da ferramenta pesa se você vende no Brasil: boa parte das plataformas assume Stripe, que não é o caminho de quem quer receber por Pix. Vale conferir quais gateways a ferramenta aceita antes de começar, e não depois do catálogo cadastrado.
O prompt, para começar em uma tarde
Se você vai construir com IA, o resultado depende muito mais do pedido do que da ferramenta. Este funciona:
Crie um catálogo de produtos com pedido. Preciso de: uma vitrine com foto, nome, preço e categoria; página do produto com descrição e botão de adicionar ao carrinho; carrinho com quantidade e total; tela de finalização pedindo nome, telefone e endereço, com opção de retirada ou entrega; e, ao confirmar, abrir o WhatsApp com o pedido escrito. Preciso também de uma área de administração onde eu cadastro produtos, marco item como indisponível e vejo os pedidos por situação: recebido, em preparo, saiu para entrega, entregue.
Duas coisas que fazem esse prompt funcionar e que valem para qualquer pedido: ele diz quem usa cada tela (o cliente e você) e diz o que acontece ao confirmar. Pedido vago devolve app vago.
Depois que a primeira versão estiver de pé, peça as mudanças uma de cada vez. Frete por bairro, cupom, horário de funcionamento, variação de tamanho: cada uma é um pedido, e assim você confere uma coisa por vez em vez de receber vinte telas e não saber por onde começar.
O que conferir antes de divulgar
Três testes, nesta ordem, e o terceiro é o que ninguém faz:
- Faça um pedido do começo ao fim, pelo celular. Não pelo computador: seus clientes vão comprar pelo celular;
- Confira no painel se o pedido chegou. A mensagem de sucesso na tela é exatamente o que um formulário quebrado também mostra;
- Marque um item como indisponível e tente comprar. É o teste que pega o problema que mais irrita cliente.
Depois que estiver rodando
O catálogo é o começo. Na ordem em que costuma valer a pena:
Pagamento na confirmação, que reduz a conversa e a desistência. Histórico do cliente, que é o que permite o "o de sempre?". Cupom e programa de fidelidade, quando já existe gente voltando. E o app nas lojas, quando os clientes que voltam são muitos o bastante para valer um ícone na tela do celular deles.
Na Fabapp, o plano Free não pede cartão, e um catálogo com pedido é exatamente o tamanho de app que dá para levantar e testar antes de decidir qualquer coisa.
