Como criar um app tipo iFood
Vale separar duas coisas que a mesma busca junta, porque só uma delas é software.
O app do iFood é catálogo, carrinho, pagamento, acompanhamento e avaliação. Isso é construível, e hoje em poucas horas.
O iFood é um marketplace de dois lados com milhares de restaurantes de um lado e milhões de pessoas com fome do outro. Isso é operação, capital e anos, e nenhuma ferramenta entrega.
A boa notícia é que quase ninguém que faz essa busca quer a segunda. Quem procura é o dono do restaurante que quer o próprio delivery, e essa é a versão que dá para ter.
O que dá para construir sem programar
- cardápio de verdade: categoria, produto, foto, preço, adicional pago, escolha obrigatória e item que some quando acaba;
- carrinho e checkout com cartão e Pix, ou pagamento na entrega com troco;
- taxa e área de entrega por bairro, com pedido mínimo por bairro e retirada no balcão;
- horário de funcionamento que fecha o carrinho fora dele;
- acompanhamento do pedido em etapas, com aviso a cada mudança;
- área do entregador, em que cada um vê só os pedidos atribuídos a ele;
- painel do dono, com pedidos do dia, faturamento e itens mais vendidos.
Isso é o app de delivery inteiro do ponto de vista de quem pede e de quem entrega.
O que não dá, dito com todas as letras
A moto se movendo no mapa em tempo real. A atribuição, os estados e o comprovante existem; o ponto que anda na tela depende de rastreamento contínuo em segundo plano, com o consumo de bateria e a permissão que vêm junto. É o item mais caro de um app de entrega e o mais fácil de prometer.
O marketplace com muitos restaurantes. Tecnicamente possível, comercialmente outra empresa: sem restaurantes cadastrados a vitrine é vazia, e sem clientes os restaurantes não entram.
A base de clientes. É o que o iFood cobra caro para te emprestar, e é justamente o que nenhum app próprio traz.
O caminho que costuma dar certo
- Comece pelos seus clientes recorrentes. São eles que voltariam de qualquer jeito, e são a comissão que mais dói.
- Publique na web primeiro. Link no perfil, QR code no balcão, cupom na sacola. Sem revisão, sem taxa, no ar hoje.
- Mantenha o marketplace. Ele continua sendo o melhor canal de descoberta que você tem.
- Vá para as lojas depois, quando já existir gente usando o app o suficiente para justificar.
Um prompt para começar agora
Crie um app de delivery para uma hamburgueria. Cardápio com categorias, produtos com foto, preço, adicionais pagos e escolha obrigatória de ponto da carne; carrinho; bairros atendidos com taxa e pedido mínimo por bairro, mais retirada no balcão; pagamento com cartão e Pix no app ou na entrega, com troco; horário de funcionamento por dia da semana; cupom de desconto; acompanhamento do pedido em quatro etapas com aviso a cada mudança; e um painel só meu com os pedidos do dia em fila, faturamento por dia e os dez itens mais vendidos.
O resumo
- o app do iFood é construível hoje; o iFood é um marketplace e não é software;
- rastreamento ao vivo do entregador é o item que não sai barato em lugar nenhum;
- o app próprio retém, o marketplace descobre, e manter os dois costuma render mais;
- comece pela web, vá para as lojas quando houver uso.
A conta contra a comissão está em quanto custa um aplicativo de delivery.