Como criar um app tipo Tinder
O deslizar é a parte fácil. O que separa um app de par que funciona de um que morre em dois meses são três coisas, e nenhuma delas é a animação do cartão.
O que dá para construir
- perfil com foto, bio e o que mais o seu caso pedir, com o que é público e o que não é decidido no banco;
- cartões para deslizar, com gostei e não gostei;
- par formado quando os dois gostam, e conversa que abre só depois disso;
- filtros por distância, idade, interesse ou o critério que fizer sentido;
- denúncia e bloqueio, que não são opcionais (ver abaixo);
- aviso por push quando o par acontece e quando chega mensagem;
- assinatura, se você quiser cobrar por recursos extras, com cartão ou Pix.
As três coisas que decidem o resultado
1. Massa crítica. Um app de par não vale nada com dez pessoas, e vale muito com dez mil. Esse é o problema real, e é de aquisição, não de software. Comunidades de nicho e com fronteira definida (uma cidade, uma faculdade, uma profissão) funcionam porque o número necessário é bem menor.
2. Segurança, que é exigência de loja. App com conteúdo gerado por usuário precisa, nas duas lojas, de filtro de conteúdo, de um jeito de denunciar dentro do app, de bloqueio entre usuários e de um canal de contato do desenvolvedor. Não é recomendação, é o que decide se o app entra. Sem isso a recusa é quase certa.
3. Desequilíbrio. Todo app de par tem um lado que sobra e outro que falta, e o lado que falta é o que precisa ser cuidado. Filtro, limite diário e verificação existem para isso.
O que não sai pronto
A recomendação treinada no comportamento. Ordenar por distância, interesse em comum e atividade recente, dá. Um modelo que aprende com milhões de deslizes quem mostrar para quem, não; é o ativo que as grandes construíram em anos de uso.
O par não é só namoro
A mecânica é mais útil fora do namoro do que dentro, porque o problema de massa crítica é menor:
- mentor e mentorado dentro de uma empresa ou de uma faculdade;
- vaga e candidato numa área específica;
- carona entre pessoas do mesmo trajeto;
- adoção de animais, com abrigo de um lado e família do outro;
- troca, de figurinha a equipamento.
Em todos, o "par" é a forma; o assunto é seu.
Um prompt para começar agora
Crie um app de mentoria com pares. Pessoas se cadastram como mentor ou mentorado, com foto, área, senioridade e temas de interesse; o mentorado vê cartões de mentores filtrados por área e tema e marca interesse; quando o mentor também marca, abre uma conversa entre os dois; existe denúncia e bloqueio em qualquer perfil, e um painel só meu com denúncias abertas; avisos por push quando um par acontece e quando chega mensagem; e um limite de cinco novos interesses por dia por pessoa.
O resumo
- deslizar, par e conversa: tudo isso dá, e sai da descrição;
- denúncia, bloqueio e filtro não são opcionais, são exigência das duas lojas;
- o problema difícil é massa crítica, e ele é de aquisição, não de software;
- nicho com fronteira definida precisa de muito menos gente para funcionar;
- a mecânica de par serve para mentoria, vaga, carona e adoção, não só namoro.