ASO: como fazer seu app ser encontrado na loja
ASO é a sigla em inglês para otimização para lojas de aplicativos. É o equivalente ao SEO, só que dentro da App Store e da Google Play: o trabalho de fazer o app aparecer quando alguém busca, e de fazer essa pessoa instalar quando ele aparece.
Para um app de negócio local, a boa notícia é que a concorrência na busca costuma ser pequena. Quem procura "pizzaria vila mariana" na loja não está comparando cem apps. O que decide é ter o nome certo, as palavras certas e uma página que convence em três segundos.
As duas metades do ASO
Vale separar desde o começo, porque cada uma tem um remédio diferente:
- Ser encontrado. O app aparece na busca para as palavras que o seu cliente digita. Aqui pesam o nome, os campos de texto e o histórico de instalações;
- Ser escolhido. A pessoa viu o app na lista e decide abrir e instalar. Aqui pesam o ícone, as capturas de tela e a nota.
Muita gente trabalha só a primeira. Aparecer em terceiro lugar com um ícone confuso e nota 3,1 é pior do que aparecer em quinto com uma página bem feita.
Os campos de texto em cada loja
As duas lojas leem coisas diferentes, e é aqui que a maioria dos tutoriais antigos erra.
| Campo | App Store | Google Play |
|---|---|---|
| Nome | 30 caracteres, conta para a busca | 30 caracteres, conta para a busca |
| Segunda linha | subtítulo, 30 caracteres, conta para a busca | descrição curta, 80 caracteres, conta para a busca |
| Palavras-chave | campo próprio, 100 bytes, invisível ao usuário | não existe |
| Descrição longa | até 4.000 caracteres, não é usada pela busca segundo a Apple | até 4.000 caracteres, é lida pela busca |
| Texto promocional | 170 caracteres, muda sem enviar versão nova | não existe |
O nome
É o campo de maior peso nas duas lojas. A fórmula que funciona para negócio local é marca mais o que o app faz: "Bella Massa Pizzaria Delivery" diz o nome e responde à busca genérica ao mesmo tempo.
O que a Google proíbe no nome, e a Apple também recusa: "nº 1", "melhor", "grátis", preço, emoji e letras maiúsculas de enfeite que não fazem parte da marca. É a política de metadados, e app que insiste nisso é removido.
O campo de palavras-chave da Apple
São 100 bytes, e o detalhe dos bytes importa em português: letra acentuada ocupa mais de um byte, então "promoção" gasta mais espaço do que parece. As regras que a própria Apple publica:
- separe os termos por vírgula, sem espaço depois da vírgula;
- não repita palavras que já estão no nome, no subtítulo ou na categoria, porque elas já contam;
- não use plural de uma palavra que já está lá;
- não use nome de concorrente, de celebridade ou marca que não é sua;
- evite palavras genéricas como "app".
Um exemplo para a pizzaria do nome acima: pizza,esfiha,calzone,lanche,jantar,entrega,pedido,cardapio,zona sul. Nada de "pizzaria" e "delivery", que já estão no nome.
A descrição na Google Play
Como a Google lê o texto, escreva a descrição para gente e deixe as palavras aparecerem naturalmente: o bairro, o tipo de comida, o que dá para fazer no app. Repetir a mesma palavra vinte vezes é o que a política chama de enchimento, e prejudica em vez de ajudar.
As primeiras linhas são as que aparecem antes do "mais". Coloque ali o que o app resolve, não a história da empresa.
O que convence: ícone, imagens e nota
Na lista de resultados, a pessoa vê o ícone, o nome, a nota e, em boa parte das buscas, as primeiras capturas de tela. É isso que decide o clique.
- Ícone: simples, legível no tamanho de uma unha, sem texto pequeno. Tem um guia só sobre isso;
- Capturas de tela: as duas primeiras fazem quase todo o trabalho. Mostre o app em uso com uma frase curta em cima de cada uma;
- Nota: é o fator que mais pesa na decisão de quem já está olhando a página.
Avaliações: como pedir do jeito certo
App bom com poucas avaliações perde para app mediano com muitas. O que funciona:
Peça dentro do app, no momento bom. Depois de um pedido entregue, de uma reserva confirmada, de um treino concluído. Nunca na primeira abertura e nunca depois de um erro.
Use o pedido nativo da loja. No iPhone, o sistema limita esse pedido a três exibições por ano para a mesma pessoa, e decide sozinho quando mostrar. Na Google Play há um limite parecido. Por isso não adianta pedir a cada tela.
Responda às avaliações. As duas lojas deixam responder publicamente. Uma resposta educada a uma nota baixa mostra a quem chega depois que existe alguém do outro lado.
Não ofereça brinde em troca de nota cinco. As duas lojas proíbem avaliação incentivada, e o risco é perder a ficha.
Idioma e país
As duas lojas deixam ter textos diferentes por idioma. Se o app atende só o Brasil, faça a ficha em português do Brasil completa, com nome, subtítulo e palavras-chave pensados em português. Uma ficha em inglês traduzida às pressas não aparece para quem busca em português.
Se você atende turistas ou outro país, aí vale uma segunda localização. Para negócio local, não.
O que mexe no ranking e o que é mito
Mexe, segundo as próprias lojas: o texto dos campos indexados, a relevância para a busca, a nota e o volume de avaliações, as instalações e se as pessoas continuam usando o app depois de instalar.
Mexe pouco ou nada:
- encher a descrição de palavras repetidas. Na Apple ela nem é lida pela busca; na Google, enchimento é violação de política;
- trocar o nome toda semana. Cada troca na Apple exige uma versão nova, e você perde a consistência que a busca já tinha aprendido;
- comprar instalações ou avaliações. As lojas detectam, e a punição vai de apagar as avaliações a remover o app;
- colocar o nome do concorrente nas palavras-chave. É proibido e, quando passa, traz gente que não queria o seu app e desinstala, o que piora o resto.
Teste antes de concluir
As duas lojas têm ferramenta própria de teste A/B da página: a Google Play chama de experimentos da ficha da loja, e a Apple de otimização da página do produto. Dá para testar um ícone ou uma ordem de capturas contra outra e ver qual converte mais visitas em instalações.
Para um app pequeno, o tráfego pode ser baixo demais para um teste conclusivo. Nesse caso, mude uma coisa por vez e compare as instalações de um mês com o anterior no painel da loja.
E antes de tudo, ter o app na loja
ASO só começa quando existe uma ficha. Na Fabapp, o app que você descreve vira primeiro um app na web, que já pode ser usado pelo link, e depois um app nativo enviado à App Store e à Google Play sob a sua conta de desenvolvedor. A ficha, as avaliações e o histórico de instalações ficam com você.
O passo a passo dentro do produto está no guia Publicar o app nas lojas. Os campos de texto, as palavras-chave e as capturas continuam sendo seus, e são eles que este guia ajuda a escrever.
O resumo
- ASO é ser encontrado e ser escolhido, e as duas metades pedem cuidados diferentes;
- o nome pesa mais que tudo: marca mais o que o app faz, sem "melhor" nem "grátis";
- na Apple, use bem os 100 bytes de palavras-chave e não repita o que está no nome;
- na Google, a descrição conta, escrita para gente e sem enchimento;
- avaliação se pede no momento bom, com o pedido nativo da loja, e nunca em troca de brinde.
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